quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Esclarecimento
Quando criei este espaço, a intenção era poder ajudar alguém a compreender como funciona a mente de uma pessoa a quem diagnosticam ser portador de HIV. Se possível, desmitificar o "monstro" e fazer com que tod@s pudessem entender que apesar disso, a vida continua e no fim de contas, continuamos a ser pessoas, a ter sentimentos e a ter que lutar como qualquer outro por levar a nossa vida avante.
O motivo que me tem mantido afastado deste Blog, não é outro que um mau momento pessoal, no qual não me sinto com forças para poder servir de ajuda a ninguém. Se escrevesse o que me vai na alma, provavelmente surtiria o efeito contrário, e tal como vos dizia, esse não é o meu objectivo. Por isso, prefiro esperar a clareza que nos dá o transcurso de algum tempo para poder avaliar as situações sem multiplicar as suas verdadeiras dimensões. Esta espera é fruto da coerência e cordura mental que adquiri junto com a situação de seropositivo. Tal como não gosto que ninguém me diga algo sem medir as suas palavras (embora tente não levar as coisas a peito), prefiro agora manter silencio durante um período indeterminado, que me vai conferir uma visão mais objectiva, mais madura e mais imparcial; com a qual vou poder redimensionar os meus problemas actuais para saber como lhes fazer frente.
Até lá, desejo que tod@s estejam bem e mando-vos um forte e apertado abraço.
Zé
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
De volta à Vida
Cá estamos de novo! Ufffff!!! Duas mudanças em menos de 6 meses sao dose!!!...Bom, espero nao ter estado fora tempo suficiente para fazer algum leitor perder o interesse no Blog.
É bom estar de volta à cidade, de volta à vida, ao reboliço do metro e ao cheirinho outonal a Castanhas assadas pelas ruas, que tanto me faz lembrar a minha querida cidade invicta. Vem-me sempre à mente o fado do Carlos do Carmo " O Homem das Castanhas" e dou por mim a cantarolar: "Quem quer quentes e boas? Quentinhas! A estalarem cinzentas, na Brasa! Quem quer quentes e boas? Quentinhas! Quem compra leva mais amor p'ra casa!"
Espero que todos estejam a ter um principio de Outono bem quentinhos, bem abrigadinhos do frio e dos virus mauzoes de gripes e afins, e que possam apreciar uma vida repleta de amor, que está lá até mesmo quando nao o vemos ou por qualquer motivo o esquecemos...
Ando em fase bastante Zen, fruto de um livro que estou a ler por recomendaçao de um amigo. E fazendo Juz à Filosofia dessa literatura de cabeceira, só poderia despedir-me de uma maneira:
Muita PAZ
sábado, 19 de setembro de 2009
Elipse Temporal

segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Pastilhas, Comprimidos e outras viagens II
No dia seguinte acordei cedo. Era dia de trabalho e lá tinha eu que cumprir com as minhas obrigações... Sentia como se em vez da cabeça, tivesse uma enorme abóbora colocada em cima do pescoço, e como se tivesse estado toda a noite a beber um qualquer Whisky barato com a respectiva ressaca e a falta de equilibro subconsequente.
Não me lembro de ter tido um dia de trabalho mais comprido... Sentia-me realmente mal. Mas à medida que passavam as horas, ia-me sentindo um pouco melhor. Lembro-me distintamente de sentir as tonturas e os calores num incessante vai-vem ao longo de todo o dia, mas não dei parte fraca, e a "reganha dentes" lá aguentei estoicamente toda a jornada de trabalho.
Estes efeitos secundários acompanharam-me durante vários dias, creio até que semanas, sempre em decrescendo. Actualmente ainda me visitam de vez em quando, mas vou aprendendo artimanhas para evitar tão desagradáveis visitas. Por exemplo, sei que se tomar a medicação com o estômago cheio é mais provável que sinta estes efeitos, por isso, sempre que posso janto mais cedo e assim evito sentir-me mal após tomar a medicação.
Outra coisa são os sonhos... Esses não há como evitá-los. Desde sempre tive uma relação especial com o mundo dos sonhos. Lembro-me de sonhar de criança com coisas que, mais dia menos dia, acabavam por acontecer. Mais tarde, após conhecer a dor da perda de alguém próximo, lembro-me de em sonhos poder conversar com esses seres queridos. Normalmente ao acordar esquecia-me de partes ou por vezes da totalidade dos meus sonhos. Hoje isso não acontece. Mais do que sonhar, de tão vivos que os sinto, os meus sonhos são experiências. Umas vezes agradáveis, outras nem tanto, mas sempre experiências. Não se pode dizer que "de vida", mas experiências muitas vezes repletas de espiritualidade e sensações reais, de presenças e interacções com muita gente; conhecida ou não, que está viva ou não... É como se por fim me apercebesse que pertenço a uma rede de pessoas, ou será de almas, que podem trabalhar em conjunto por objectivos em comum... Para interferir ajudando espiritualmente muitos outros que necessitam essa ajuda. Em conversa com um grande amigo, seguidor da corrente Espírita, fiquei bastante elucidado a respeito destas experiências. Não peço que ninguém compreenda esta parte do meu relato, até porque se poderia perfeitamente dizer que alguém que toma um comprimido que logo de entrada se chama Atripla, está sujeito a divagar pelo "sem sentido", mas sinto que se aproxima a hora de aprofundar um pouco sobre estes assuntos e partilhar a minha visão pessoal sobre as questões da espiritualidade.

